As festas Juninas no RGS



Categoria: Notícias
Publicado em 16/06/2011 17h00

As festas Juninas no RGS

As festas Juninas no Rio Grande do Sul

As festas juninas no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul as festas de junho estão ligadas aos santos do mês: Santo Antonio (13), São João (24) e São Pedro (29).

São festas importantes no calendário gaúcho e sua alegria não tira a seriedade das comemorações. O que se deve impedir - e o tradicionalismo está vencendo esta batalha - é a aparição de festas caipiras, que de caipiras não tem nada e visam colocar em ridículo um tipo humano de cultura tão importante como o gaúcho, que já mereceu estudos sérios de homens como Mário de Andrade, Amadeu Amaral e Alceu Maynard Araújo.

No Rio Grande do Sul, as festas juninas preservam os trajes típicos do estado, como a bombacha e o chapéu de feltro, no lugar do chapéu de palha e da roupa remendada. A animação fica a cargo do ritmos gaúchos, onde os gaúchos e prendas pilchados dançam e cantam ao redor da fogueira.

ORIGEM

As festas juninas já existiam antes da era cristã. Gregos e romanos homenageavam os deuses da colheita com grandiosas fogueiras, cantorias e danças. Estas festas realizavam-se no solstício de verão da Europa, que acontece no dia 24 de junho.

Com a chegada do cristianismo, deixaram de ser festas pagãs para se incorporarem ao calendário católico. O que, aliás, aconteceu com diversas outras festividades antigas, que estavam muito arraigadas na cultura e no inconsciente coletivo e que, portanto, não seriam abandonadas e precisaram ser adaptadas à nova religião monoteísta.

Introduzidas no Brasil pelos portugueses, as festas juninas logo se tornaram uma tradição, tendo sofrido ao longo do tempo diversas adaptações e regionalizações.

Para a origem da fogueira, especificamente, há uma outra versão. Reza a lenda que Santa Isabel e Maria, mãe de Jesus, eram muito amigas. Como Santa Isabel estava grávida, prometeu avisar a amiga quando seu filho nascesse. Então, quando João Batista nasceu, no dia 24 de junho, Santa Isabel acendeu uma enorme fogueira, que pudesse ser vista pela amiga Maria que morava longe de sua casa. Assim teria nascido a tradição das fogueiras, em homenagem a São João Batista.

FOGUEIRAS

Sabia que cada santo do mês de junho tem uma fogueira característica? Confira

Santo Antônio

Conhecido como Santo Casamenteiro, é homenageado no dia 13 com uma fogueira de formato quadrangular, isto é, sua base é um quadrado.

São João

Considerado o padroeiro das mulheres grávidas, é o santo festeiro. É homenageado no dia 24 com uma fogueira de formato cônico, ou seja, com uma base redonda.

 

 

 

São Pedro

O santo padroeiro do Rio Grande do Sul, porteiro do céu e protetor dos pescadores. É homenageado no dia 29 com uma fogueira de formato triangular, isto é, a uma base triângulo.

INDUMENTÁRIA

O que vem ocorrendo no Rio Grande do Sul há muito tempo, é que estão sendo misturadas duas culturas regionais brasileiras distintas – a caipira e a gaúcha – nas comemorações das festas juninas. Muitas pessoas imitam o caipira e, o que é pior, muito mal, sem conhecimento de sua cultura.

Sabe-se que o caipira é um tipo humano, representativo de uma região brasileira, assim como o vaqueiro, o jangadeiro e o próprio gaúcho, merecendo, portanto, como nosso irmão, o respeito pois .

Houve um tempo em que sociedades e escolas realizavam os “casamentos na roça”. Essa prática não condiz com a tradição gauchesca e tão pouco com a tradição caipira. Trata-se de uma brincadeira de mau gosto em que o Juiz de Paz se transforma num “palerma” e a noiva numa “assanhada”, para não dizer outra coisa, normalmente casando já grávida.

Enquanto o caipira usa camisas estampadas, calças um pouco curtas e remendadas, botinas, chinelos ou sandálias, saias de chita a meia canela e chapéu de palha, o gaúcho usa camisas lisas, bombachas, botas ou alpagatas, saias curtas (meia canela) para crianças e na planta do pé para moças e mulheres e chapéu de feltro.

Não condiz com a tradição tipo humano gaúcho pintar as crianças fazendo com que se pareçam com adultos (bigodes e barba).

MASTROS, BANDEIRINHAS E SÍMBOLOS LITÚRGICOS

A origem provável do mastro está ligada à reminiscência dos cultos agrários em cerimônias de agradecimentos à fecundação das sementes.Sua caracterização, quanto à altura está relacionada com a fé. Quanto maior a altura, mais simboliza a grandeza da devoção do povo.

Os símbolos litúrgicos são:

São Pedro: as chaves do céu ou o peixe
Santo Antônio:  a flor do lírio ou o desenho de um coração
São João Batista: A presença da concha com que lembra o batismo, ou ainda uma cruz envolta por uma banda branca com os dizeres: “Eis o cordeiro de Deus”, ou ainda a figura de um cordeirinho.

COMES E BEBES

A comida é galinha-frita, assada ou com arroz, batata-doce, pinhão, preparado de várias maneiras, o amendoim, a pipoca, a canjica, os doces campeiros. Assar churrasco, ainda nas brasas da fogueira, seria um desrespeito ao santo. Bebe-se cachaça, quentão, vinho.

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:

- Nas Festas Juninas na Tradição Gaúcha, crianças, jovens e adultos brincam e se divertem usando pilchas ou trajes habituais.

- Dentes e rostinhos pintados, roupas remendadas, casamento na roça, além de descaracterizarem a tradição caipira, são representações artificiais e incorretas, e ridicularizam o padre, o delegado, o juiz, o relacionamento homem / mulher, a higiene do caipira, tornando-o um verdadeiro palhaço.

BIBLIOGRAFIA:

PAIXÃO CÔRTES, João Carlos. Festejos do Ciclo São João na Tradição Gaúcha. Editora Proleta.1986.
PAIXÃO CÔRTES, João Carlos. Festas Juninas e dos Santos Padroeiros. 1980.
MARQUES, Lilian Argentina e outros. Rio Grande do sul- Aspectos do Folclore. Martins Livreiro. 1989.
FAGUNDES, Antônio Augusto. Curso de Tradicionalismo Gaúcho. Martins Livreiro. 2ª Edição.
MARQUES, Lilian Argentina Braga et al. Rio Grande do Sul – Aspectos do Folclore. Martins Livreiro. 1992
COMISSÃO GAÚCHA DE FOLCLORE. Para Compreender e Aplicar Folclore na Escola. 2000