SEMANA FARROUPILHA, O QUE REPRESENTA?



Categoria: Notícias
Publicado em 14/06/2011 09h00

SEMANA FARROUPILHA, O QUE REPRESENTA?

SEMANA FARROUPILHA, O QUE REPRESENTA?

A SEMANA FARROUPILHA é o maior evento sócio-cívico-cultural do tradicionalismo e dos tradicionalistas

. É promovido pelo MTG e pelos Poderes Públicos, através das Coordenadorias Regionais e das Entidades  Tradicionalistas.

 É um momento especial de culto às tradições gaúchas, que transcende ao Movimento Tradicionalista Gaúcho, que envolve praticamente toda a população do  nosso Estado.

 A Semana Farroupilha é a promoção máxima do tradicionalismo gaúcho, que programa e desenvolvendo atividades em nível estadual, regional e local, devendo ser comemorada por todas as Entidades filiadas, em suas respectivas áreas de atuação, sem prejuízo de promoções conjuntas, no período de 14 a 20 de setembro de cada ano.

 A SEMANA FARROUPILHA foi oficializada, através da lei n.º 4. 850 de 11 de setembro de 1964, assinada pelo Presidente da Assembléia Legislativa do Estado, Deputado Francisco Solano Borges e Regulamentada pelo DECRETO n.º 8715, de 11 de outubro de 1988, assinado pelo  então Governador do Estado Sr.  Pedro Simon.

O simbolismo que marca o início e o fim da Semana Farroupilha é o “acendimento e a extinção do fogo votivo denominado “Chama Crioula”. A pira em que é mantida acesa a “Chama Crioula” é denominada de “Candeeiro Crioulo”.

 A programação da SEMANA FARROUPILHA deve contemplar  atividades  cívicas, com evocação dos feitos e heróis da “Epopéia Farrapa” e enaltecer o caracter de brasilidade e fraternidade nacional do evento.

 Atualmente, o dia “20 de setembro “ é o feriado correspondente à “ Data Magna do Estado”, através do DECRETO n.º 36 180, de 18 de setembro de 1995, assinado pelo Sr. Antônio Britto, governador do Rio Grande do Sul.

 

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A ORIGEM DA SEMANA FARROUPILHA

 

A Semana Farroupilha tem sua origem ligada ao ano de 1947, quando um grupo de jovens estudantes do Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, com o espírito cívico aguçado, decidiu resgatar o patrimônio histórico e cultural do gaúcho e integrá-lo à cultura brasileira, motivados pelo descaso para com o patrimônio sócio-cívico- cultural gaúcho.

Logo após a 2ª Guerra Mundial, vivíamos o arrastão cultural do Estados Unidos, época em que o americanismo passou a ser exportado para o mundo, ocupando espaços no Brasil e conseqüentemente no Rio Grande do Sul, gerando muito desconforto e descontentamento entre os gaúchos. Devido a tal fato, jovens estudantes do Colégio Júlio de Castilhos rebelaram-se e resolveram mostrar ao Brasil e ao mundo, que o Rio Grande do Sul e o povo gaúcho têm história, têm tradição. Por isso, decidiram fundar um Departamento de Tradições Gaúchas, ligado ao Grêmio Estudantil da referida Escola. O grupo atualmente é conhecido como “ Grupo dos Oito” e ficou assim constituído:

 Ciro Dutra Ferreira, Ciro Dias da Costa, Orlando Degrarazia, Fernando Machado Vieira, João Machado Vieira, Antônio de Sá Siqueira, Cilso Campos e o líder do grupo foi João Carlos Paixão Cortes.

 Aprovada a idéia da fundação do Departamento de Tradições Gaúchas, sob a direção de João Carlos Paixão Cortes, os estudantes resolveram programar a “Ronda Gaúcha”, que se popularizou como “Ronda Crioula”.

 O termo Ronda, que deu nome ao evento pioneiro, foi buscado no linguajar campeiro, a partir das rondas, que os peões faziam, quando tropeavam o gado. Durante a noite, os gaúchos ficavam sempre ao redor do fogo, ao redor dos animais, cantarolando, assobiando para acalmá-los. Para tal, acendiam um fogo a certa distância do gado e, ao seu redor faziam seu “quarto de ronda”, isto é, substituíam seus companheiros de observação e guarda da tropa. Ao redor do fogo, corria a roda de mate, contavam causos, declamavam...

 A referida programação aconteceu de 7 a 20 de setembro de 1947, ligando a data da Independência do Brasil ao início da Revolução Farroupilha. O acendimento da Chama Votiva da Ronda Gaúcha, seria a meia noite do dia 7 de setembro, antes de extinguir o Fogo Simbólico da Semana da Pátria, com a retirada de uma centelha e que receberia a denominação de “Chama Crioula”.

 Tudo combinado, os jovens precisavam contatar com o apoio da Liga de Defesa Nacional, órgão responsável pela organização das festividades alusivas a Semana da Pátria. No encontro com o Presidente da Liga, Coronel Vignoli e o Secretário Dr. Fortunati Pimentel, falaram eles do desejo de retirar, ao final do dia 7 de setembro, uma centelha do Fogo Simbólico e transportá-la para o saguão da Escola Júlio de Castilhos, onde seria colocado num “Candeeiro Crioulo” típico, simbolizando o início da Ronda Gaúcha, cuja programação deveria se estender até o dia 20 de setembro, data que o calendário da historiografia brasileira, marca o início da Revolução Farroupilha. Os estudantes receberam todo o apoio, que esperavam. Na contrapartida, deveriam eles organizar um piquete de cavalarianos para acompanhar a chegada dos restos mortais do herói farroupilha David Canabarro, que seria transladado de Santana do Livramento para a capital, num entrelaçamento da história gaúcha com a história brasileira. E assim, na data e hora combinada, os estudantes postaram-se na Avenida Farrapos, na frente do hotel Umbu, em Porto Alegre, aguardando a chegada da carreta, que conduzia os restos mortais de Canabarro. Num ato de civismo, de homenagem póstuma, os estudantes galoparam  até a Praça da Alfândega, local onde aconteceriam os atos cívicos.

No dia 7 de setembro, quase a meia noite, os estudantes retornaram ao local onde ardia o Fogo Simbólico, para num ato de civismo, em prol das  tradições do nosso pago, criar a Chama Votiva de amor ao Rio Grande e as suas tradições, a nossa CHAMA CRIOULO, símbolo autêntico do civismo gaúcho.

 Ao retirar a centelha do “Fogo Simbólico”, os estudantes Cyro Dutra Ferreira, Fernando Vieira e João Carlos paixão Cortes, montados em seus fletes, esbarraram frente às autoridades, no palanque oficial e, em uníssono, gritaram:

 

“Viva a Tradição Gaúcha!”

“Viva a Revolução farroupilha!”

“Viva o Brasil!”

 

No “Programa de Ação” , foram desenvolvidas as seguintes atividades:

a)     realização de bailes gauchescos, com concursos de danças e trajes, hora de arte;

b)     concursos literários: prosa e verso;

c)     publicação de artigos no jornal do “Julinho”;

d)     palestras culturais por intelectuais gaúchos;

e)     Ronda Gaúcha: assembléia;

f)      Provas campeiras: concurso de laço e boleadeira;

g)     Concurso de fotografias;

h)     Concurso de desenhos;

i)      Biblioteca e discoteca.

 

Portanto, a Semana Farroupilha, cuja simbologia cívica representativa é o Candeeiro e a Chama Crioula, símbolos autênticos da tradição gaúcha, tiveram origem  na “Ronda Gaúcha”, programação especial promovida pelos estudantes, integrantes do “Grupo dos Oito”.

 Assim foi criada a “1ª Ronda Crioula”, instituído o “Candeeiro Crioulo”, o “1º Baile Gaúcho e a “Chama Crioula”.

 Hoje, quando vivenciamos a Semana Farroupilha, estamos vivenciando a maior festa de civismo e do amor ao Rio Grande e as suas tradições, estamos demonstrando o nosso espírito de brasilidade. É quando mais uma vez o Rio Grande se levanta e, orgulhosamente, reverencia a bravura, a lealdade e a coerência dos anseios do gaúcho de antanho, seu alto espírito de civismo evidenciado a cada passo, em prol da pátria brasileira. Anseios esses, que nada se diferenciam dos atuais. O civismo é a maior peculiaridade do povo gaúcho, pois é tradição, é costume do povo rio-grandense amar o seu pago, projetar e fortalecer sua tradição, enaltecer a história do  Rio Grande Farrapo, Gaúcho e Tradicionalista, não importa o canto brasileiro por onde estiver.

 O “20 de setembro” representa para todos nós amantes e devotos da nossa tradição e enaltecedores da nossa história, tentos de couro cru a unir gerações rio-grandenses, pois reflete os mais autênticos e verdadeiros anseios do povo gaúcho.

 A Semana Farroupilha é o momento em que cada um de nós deve renovar o “compromisso de manter acesa a chama sagrada de amor ao Rio Grande e ao Brasil”. Irmanados, procuremos despertar os reais valores morais do ser humano. As novas gerações precisam de rumos definidos na construção de um Rio Grande maior e melhor.

 

 

MARIA IZABEL T. DE MOURA

Vice-Presidente de Cultura do MTG-RS