Poesias

Poesia de Maria Beatriz Magalhães dos Santos

Estância Gaúcha

Maria Beatriz Magalhães dos Santos

 

Foi em 20 de setembro
prenúncio de primavera
bem no meio do cerrado
nascia uma flor singela
era a Estância Gaúcha
plantada aqui neste chão
já trazia em sua essência
o cheiro bom da querência
e o gosto da tradição


Regada com muito suor
de gente que trás na alma
a inquietude que é sempre
o princípio da criação
cravou firme suas raízes
provou da terra também
em meio a tantas culturas
gerando sementes puras
das origens de onde vem


É  assim a Estância Gaúcha
mistura de todos nós
tem gente de outros estados
também longe se seus pagos
que aqui vem com sua saudade
pra nos fazer um costado
e entregar como um regalo
um mimo em forma de pealo
que é esse amor contrabandeado


Na indolência das tardes
nas bailantas domingueiras
os sorrisos correm fáceis
o abraço é mais fraterno
é gente de todo lado
numa grande integração
falando o mesmo dialeto
o Rio Grande fica perto
quando abrimos o coração.


Nas noites de lua cheia
quando o céu é mais campeiro
a peonada se entrevera
na dança, canto e poesia
numa tertúlia bonita
ao redor do fogo de chão
uma grande paz se expande
é o patrão da estância grande
que vem visitar o galpão


E aqui vem o gaúcho
seguindo rastros de sonhos
que sempre habitam os galpões
e nessas horas compridas
em meio aos desassossegos
até a alma cria asas
seguindo estrada afora
ameaça ir embora
quando a saudade vem “pras casa”


E nas mudanças de rumo
quando as vaidades se acendem
devemos ter a grandeza
de não acirrar a charla
e entregar esse tesouro
nas mãos do novo patrão
antes do acerto dos cobres
o patrimônio mais nobre
que é o respeito à tradição


Dança Estância Gaúcha
não tens vestidos de chita
mas tens as prendas mais bonitas
que encantam com os sarandeios
canta Estância Gaúcha
queremos ouvir tua voz!
que a chama que apaga agora
reacenda na mesma hora
na alma de todos nós.


Um lugar para ser feliz de Ivone Martins Moraes

Concurso de Poesias do CTG Estância Gaúcha do Planalto - 2006

 

 

Nos primórdios de Brasília,
capital ainda criança,
um punhado de gaúchos
cavalgando uma esperança,
inspirados por um sonho,
saudosos do seu rincão,
campeavam uma invernada,
um bom pedaço de chão,
onde queriam erguer
uma estância pampeana,
autêntica e soberana.

 

Haveria um recanto,
em meio aos  mil encantos
desta nova capital,
onde os gaúchos desgarrados
se encontrassem irmanados
por um único ideal.

 

Ala pucha!
E não é que conseguiram,
graças à boa vontade,
dedicação e trabalho,
entre tropeços, trampaços,
sem se arriscar por atalhos,
fizeram de verdade
do sonho realidade.


Hoje quando contemplados
este lugar abençoado,
duramente conquistado,
batalha bem aguerrida,
com alma e coração,
muita gente ainda duvida
que seja verdade ou não.

 

Como índio bom não  se entrega,
mesmo na maior refrega,
a gauchada seguia,
quanto mais dificuldade
mais valentia...


Ainda hoje pelejam
os guapos,
na contramão das correntes,
preparando os pias ,
agregados, descendentes,
para não deixar morrer
os sonhos dos pioneiros,
gaúchos verdadeiros

 

Porque essa raça é de lei,
é leal.
não trai os amigos,
encara com garra e de frente
qualquer perigo.


Gaúcho se destaca
pelas boas qualidades,
honra, coragem,  lealdade.
Há  que manter acesa a chama;
pois aquilo que se ama
não se maltrata.
Por mais forte que soprem
ventos contrários,
é de nossa tradição
resistir para manter firmes
as estruturas,
exemplo que legaremos
para as gerações futuras.

 

Por estes fatos, gaúcho amigo,
quando a tristeza te pegar de assalto,
vem para a Estância Gaúcha do Planalto,
aqui neste sagrado chão,
peia amigo, toma um mate,
proseia e estende a mão.
Sempre acontece
algum debate,
mas prevalece
a união.

 

Vem bailar o som da milonga,
vai te contagiar,
aceita um trago
que o vinho é bom
e o gaiteiro não perde o tom.

 

Se aqui bateres com os costados
dá cá um abraço bem apertado,
nosso churrasco tem mais sabor,
versos antigos falam de amor.
Nós te daremos boa acolhida,
a nossa dança
comemora a vida
e encontrarás
gaudérios vindos
de outros estados,
aquerenciados,
mateando juntos,
pilchados ou não,
dançando de acordo com a tradição.

 

Junto a este povo alegre e festeiro ,
jamais te sentirás forasteiro.
Sem muito luxo,
logo no mas,
te sentirás
como um autêntico gaúcho.


Estância Menina de Camila Magalhães dos Santos

Teimosa nascia
tão linda altaneira
rebento atávico
Um pouco estrangeira
que surgiu de um sonho
nascido de alguns

 

Vaidosa crescia
mostrando sua face
trazendo no sangue
a herança da raça
de um povo que leva
a querência aonde vai

 

Crescia com nome
com genealogia
com datas festivas
com benções  crescia
mantendo a humildade
que só os grandes têm

 

Estância Menina!
tão cheia de graça
apesar de pequena
mirava faceira
o espelho das águas
do Lago Paranoá .

 

Menina bondosa
de tão grande alma
em ti o gaúcho
encontrava aconchego 
a saudade saciava
na cuia do mate
e  a alma aquecia
no fogo de chão...

 

Tão jovem vencia
tortuosos caminhos
rompendo barreiras
sofrendo influências
também deste chão
guardando valores
que são transmitidos
no aperto de mão

 

Um dia, faz tempo,
cruzou a porteira
provando a todos
que podia ser mais
no som retumbante
dos passos da chula
no doce sussurro
que nasce dos pés

 

Com pilcha de gala
embalada em lirismo
dançou, a menina,
qual lua faceira
brilhando e mostrando
as faces que tem.

 

Foi tudo num dia
de criança a chirua
cantou a cantiga
há muito esquecida
descobriu que há
sempre
um momento na vida
para eternizar...

 

E cantaram todos
a mesma cantiga
e todos rezaram
a mesma oração
e vibraram todos
com o grito de guerra
que fala da força
que tem nossa união

 

Nas noites festivas
de luzes e cores
por outros valores
ativa o andante
que encontra razão
para sempre voltar...

 

E ao celebrar teu aniversário
com música e flores
te vemos graciosa
dançando, cantando
dizendo um poema
falando de amor.

 

E todos os teus filhos
alguns adotivos,
teus filhos também
descobrem agora
que cresceste  menina
porque só os grandes
porque só os fortes
e só os poetas
aprendem a amar.


Poesia de Paulo Moacir F. Bambil

"Concurso de Poesias do CTG Estância Gaúcha do Planalto - 2006"

Estância Gaúcha do Planalto

Que me traz o pago pra perto

Não deixando a descoberto

Os preceitos de um gaúcho

Imponente, porém, sem luxo

Como pedras de basalto

Pegando de sobressalto

Os incrédulos da tradição

Que duvidaram deste Galpão

Porém hoje, está no arauto!

 

Tu que foste plantada

Logo na entrada ao sul

Embaixo deste céu azul

Reunindo os apartados

Gremistas e Colorados

Para as charlas e mateadas

Deixando a alma sossegada

Sem nenhuma discrepância

Estamos aqui na Estância

Cultuando a terra amada!

 

É o Rio Grande em paralelo

Numa beleza concreta

Como já dizia o poeta

Boleiam a perna os apartados

Sendo todos aconchegados

Neste cenário tão belo

Como rei no seu castelo

Conservam aqui a essência

Dos bons fluídos da querência

Gema pura sem farelo!

 

Não podias ter melhor data

Pra fazer teu aniversário

Remetendo-nos aos cenários

Que traçamos com afinco

Nos idos de trinta e cinco

Sem temermos a bravata

Nas nossas lutas farrapas

Afrontamos os lusitanos

De luta foram dez anos

Vinte de setembro relata!

 

Em tua porteira de entrada

Já vejo a cuia de mate

Lembrando que no embate

Tu foste minha bebida

Conservando muita vida

Durante longa jornada

Onde não havia aguada

Por ter forma de coração

Asseguramo-la, na mão

Lembrando a chinoca amada!

 

 

 

Este corredor de palmeiras

Lembram-me os coqueiros

Quando era guri arteiro

Subia pra tirar coco

Passando às vezes sufoco

Quando via ali faceira

Uma cobra caborteira

Descia como uma bala

Tremendo quase sem fala

E sem nada nas algibeiras

 

Te saludo meu palco Santo

Com orgulho e sem segredo

Naco da Província de São Pedro

Espero que este galpão

Orgulho da nossa tradição

Possa seguir sem espanto

As coisas que amo tanto

Deixando o gaúcho contente

Por muitos séculos à frente

Conservando teu encanto!